quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

A correção da postura proporciona a sensação de menos dor mais leveza.

Sabia que quanto maior for a projeção da sua cabeça para a frente maior é a força necessária para os músculos extensores da cervical a manterem (músculos da parte de trás do pescoço)?
Estudos biomecânicos estabelecem uma relação direta entre a posição da cabeça e da força exercida por estes músculos, havendo um aumento significativo por cada centímetro de anteriorização. Apesar de esta relação não estar comprovada, sabe-se que esse aumento da força muscular associado à posição menos correta dos segmentos da coluna cervical causa um maior desgaste e assim patologia musculo-esquelética mais precoce. Quanto mais estes músculos trabalham de forma mantida, maior é a sua tensão de base, levando à contratura e assim dor. Este tipo de dor pode localizar-se na região dos ombros, na parte de trás da cervical ou mesmo irradiar para a cabeça, provocando as conhecidas Cefaleias de Tensão (dor de cabeça com origem na tensão muscular e cervical).

Fruto do stress do dia-a-dia, das tensões musculares e fasciais, das más posturas adotadas e mesmo de fatores hereditários, é normal que o corpo adote posições inadequadas longe daquelas que seriam as posições anatómicas ideais para permitir uma maior durabilidade das estruturas do corpo. A isto acresce ainda os microtraumatismos normais no decorrer das muitas tarefas laborais ou nas atividades realizadas com mais frequência, como o desporto ou as tarefas domésticas. Os excessos de carga ocasionais e mesmo os erros alimentares e de hidratação também podem contribuir para as perturbações nas estruturas músculo-esqueléticas (micro-lesões) com a instalação de pequenos processos inflamatórios. A experiência clínica diz-nos que há ainda uma relação direta entre o stress, o excesso de responsabilidade, o excesso de preocupação e a tensão nestes músculos do pescoço. É por isso que muitas pessoas sentem que carregam o mundo aos ombros!
Cada vez mais chegam aos profissionais de saúde adultos, jovens e mesmo crianças com alterações posturais acentuadas que se não forem diagnosticadas e tratadas atempadamente, podem originar uma danificação progressiva das estruturas do corpo em regiões muito específicas e assim a instauração da patologia músculo-esquelética.
Como sempre, o melhor remédio é mesmo a prevenção. Ao computador, com o tablet, a ler, a comer, sentado a ver televisão, sentado no carro, a trabalhar….. adote uma postura adequada! É igualmente essencial praticar actividade física para colocar todos os músculos e articulações em movimento e assim compensar de alguma forma os erros do dia-a-dia. Tenha uma alimentação equilibrada, com boa hidratação, evitando a barriguinha volumosa que tanto prejudica a postura. As mulheres com o peito mais volumoso devem usar soutiens que aconcheguem bem e que libertem a pressão da cervical e dorsal alta (abaixo do pescoço).
Para saber se tem a cervical mais projetada para a frente basta colocar-se encostado a uma parede, com a região posterior dos calcanhares apoiada atrás e avaliar a distância que vai desde a cabeça à parede. Depois tente encostar a cabeça e perceba o que sente. Se tiver dificuldade e/ou dor faça uma avaliação com fisioterapeuta e um médico.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

RECONCILIANDO-SE COM O PRÓPRIO CORPO

Por Martha Medeiros para o Jornal ZERO HORA

Pratico exercícios desde sempre. Já dancei jazz, nadei, joguei vôlei, fiz aeróbica, musculação, mas nada disso me tornou uma amante da vida esportiva. O que me levava a essa movimentação intensa era a consciência de que manter uma atividade física enrijece o corpo e oxigena a mente, então eu ia em frente sem pensar em prazer. Era uma necessidade, e pronto.
Aos poucos, fui largando tudo e mantive apenas as caminhadas, essas, sim, não apenas saudáveis, como prazerosas. Poderia passar o dia caminhando, não tivesse que reservar um tempo para exercícios cerebrais, como trabalhar e fazer palavras cruzadas.
Parecia tudo bem, até que uma médica me disse: caminhar é bom, mas não basta. Está na hora de você suar o top. E me recomendou Pilates.
Modismo, chatice, tédio. Todas essas ideias me passaram pela cabeça, mas sou obediente, acato ordens, e me matriculei num pequeno estúdio a poucos passos da minha casa, conduzido por um casal de instrutores. Fui cair na mão dos melhores, posso apostar.
Em três sessões, já percebia mudanças no meu corpo, na minha postura.

Quanto ao tédio, bom, não há tédio na dor. Às vezes, me sinto como se estivesse treinando para me apresentar no Cirque du Soleil. Recebo ordens inimagináveis: grude o umbigo nas costas, encolha as costelas, encoste o queixo no peito. Já houve caso de instruírem um rapaz a contrair o útero! Dá vontade de rir, mas não convém, temos que nos concentrar na respiração. Juro, com tudo isso, ainda pedem que a gente respire.

Então, de volta aos exercícios sem prazer?

Pois aí está a novidade: o prazer é de outra ordem. O Pilates faz a gente mudar a maneira de pensar o corpo, o que deve ser a razão do seu sucesso mundo afora. Ao decidir praticar um exercício, muitas vezes ficamos condicionados aos benefícios externos de se estar em forma: a saúde é uma boa desculpa, mas a vaidade é que nos faz pagar a mensalidade da academia. Pois o Pilates supera essa visão miúda, adicionando à prática uma reflexão que vai muito além do desejo de ser admirado.
Quando somos adolescentes, sentimos nosso corpo como parte indissolúvel do nosso ser. Porém, com o passar do tempo, acaba acontecendo uma dissociação – à revelia, nosso corpo começa a nos abandonar, a nos deixar na mão. A pele vai se soltando, os órgãos internos armam rebeliões, as articulações gritam, rangem – não me peça para explicar, mas nosso corpo ganha vida própria, se emancipa e não nos escuta mais.
O Pilates é, antes de tudo, uma reconciliação com esse corpo que se tornou rebelde e fugidio. Ele sempre esteve a nosso serviço, mas pouco estivemos a serviço dele. Pois o Pilates, feito um cupido, faz com que nós e nosso corpo passemos a nos conhecer mais profundamente e a descobrir o que nem sabíamos um do outro, mesmo com tantos anos de convívio.

domingo, 17 de agosto de 2014

Tensegridade – o que é?

A medida que nos "civilizamos" ganhamos por um lado mas perdemos por outro. Começamos a ter menos necessidade de nos movimentar e além disso vieram as guerras, que deixaram muitos com sequelas de movimento. Nessa época surge a Fisioterapia, já que até então não havia tido um número tão grande de pessoas necessitando restabelecer sua capacidade de se mover em um mesmo período.

De lá para cá houve uma grande evolução na Fisioterapia, mas ainda hoje observa-se desconhecimento e/ou uma grande resistência ao pensamento de integralidade, de que só recuperamos movimento se entendermos que ele envolve todo o corpo.
Hoje, mais do que nunca não se pode aceitar o pensamento analítico; de se focar apenas na região lesionada. Isso é contrário aos princípios universais que regem o movimento.

Para o fisioterapeuta desenvolver um Programa de Tratamento eficaz é indispensável compreender que o Sistema de Movimento Humano é altamente complexo com seus componentes miofasciais, neuromusculares e articulares interligados e interdependentes. 

Basta uma estrutura alterar, um pouco que seja, sua posição para repercutir no TODO em que está inserida.

Na tentativa de comprovar esse pensamento me deparei com o termo Tensegridade, citado por Tom Myers.


O que é tensegridade?
A palavra tensegridade ( tensão + integridade, ou seja, integridade das tensões ) foi criada e utilizada por R. Buckminster Fuller - arquiteto, engenheiro, cientista e sonhador - que a descreveu como "uma propriedade presente em objetos cujos componentes usam a tração e a compressão de forma combinada, o que proporciona estabilidade e resistência, assegurando sua  integridade global".

Isso não parece familiar para os amantes da biomecânica? 

O conceito tem aplicações na Biologia e foi desenvolvido por Donald Ingber, médico e pesquisador.
Estruturas biológicas tais como músculos e ossos, estruturas elásticas ou rígidas se tornam fortes devido ao uníssono das partes tensionadas e comprimidas. O sistema músculo-esquelético é uma sinergia de músculos e ossos. Os músculos e os tecidos conectivos fornecem tração contínua e os ossos, compressão descontínua, fortalecendo-se mutuamente.

Daí a importância do exercício, ou seja, trabalho muscular na prevenção e tratamento da osteoporose.

"Devido a propriedade elástica das interconecções , quando um elemento da estrutura "Tensegrity" é deslocado, esta mudança será transmitida por TODA estrutura e TODOS os elementos serão deslocados, ou se adaptarão para uma nova configuração, cedendo a essas mudanças sem quebrar".

Então a Tensegridade nos ajuda a raciocinar em integralidade (globalidade), com todas as estruturas interconectadas.

Compreende-se porque os tratamentos "localizados" não obtêm os resultados desejados. As análises mecânicas de resultantes de força abordam segmentos com suas alavancas e ângulos, não demonstrando o quão notável é a reação do TODO àquela ação. Isso conduz a um quadro incompleto da experiência do movimento humano.   

A posição alterada das estruturas componentes do quadril, por exemplo, leva a alteração de padrão de cadeias cinéticas inteiras podendo ser a origem de dores que se expressarão no joelho, tornezelo, coluna e até no ombro.

Ele está por trás da linha de raciocínio da resolução de problemas complexos como a escoliose, espondilolistese, os problemas relacionados à instabilidade de estruturas e demais alterações posturais.  

Manter um CORPO com alterações estruturais em movimento, levando-o para próximo do seu ótimo, ou seja, FUNCIONAL, é o nosso grande desafio e nosso objetivo e, sem dúvida, compreender a tensegridade nos ajuda a atingir nossa ambiciosa meta.  


sábado, 16 de agosto de 2014

Mente e Corpo em Equilíbrio

O Pilates enfatiza muito o controle da mente sobre o corpo, bem como a suavidade, precisão e harmonia com que os movimentos devem ser realizados. Ele é baseado em seis princípios: respiração, centro de força (power house), concentração, controle, precisão e fluidez.

• RespiraçãoA respiração deve ser sempre coordenada com o movimento e, se adequada, favorece a organização do tronco, a sustentação lombo-pélvica e o relaxamento da musculatura inspiratória acessória dos ombros e do pescoço.

• Centro de Força (Power House)É um conjunto de músculos responsáveis pela sustentação da coluna e dos órgãos internos. O fortalecimento desta musculatura proporciona a estabilização do tronco e um alinhamento biomecânico com menor gasto energético.

• ConcentraçãoÉ a mente que guia o corpo. Deve-se dar atenção e importância a todas as partes do corpo para que o movimento seja realizado com a maior eficiência possível. É a transformação de um pensamento em movimento.

• ControleÉ o melhor recrutamento da musculatura desejada. Visa um padrão suave e harmônico de movimento. O aprendizado motor dos movimentos também faz parte dos objetivos e benefícios do Pilates e está diretamente relacionado com o princípio da concentração.

• PrecisãoDiz respeito ao refinamento do controle e equilíbrio dos diferentes músculos envolvidos num movimento, sem gasto desnecessário de energia a partir de contrações inadequadas, sejam elas exageradas ou deficientes.

• FluidezA fluidez e leveza dos movimentos permitem a utilização apenas da energia necessária para o movimento, sem desperdício. Os movimentos não têm início, meio ou fim. Desta forma, o organismo aproveita a fase concêntrica e excêntrica dos exercícios, resultando num treino equilibrado e funcional e protegendo os tecidos de possíveis desgastes prematuros.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...